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Todos pela Amazônia

Celebridades, senadores e ONGs participam do movimento que tem o intuito de chamar a atenção para a necessidade de preservar a última floresta tropical do mundo

Por Raul Campos e Tatiana Molini

Artistas, ambientalistas, senadores, deputados, representantes de organizações não governamentais e de comunidades indígenas, quilombolas e seringueiras, ficaram até as duas horas da manhã do dia 14 de maio dialogando sobre a Amazônia, sua importância para o país e o planeta, as ameaças que a atingem, suas potencialidades, as dificuldades e os avanços em termos de gestão pública e atividades sustentáveis.
 
Na ocasião, famosos como Christiane Torloni e Victor Fasano, os senadores Ideli Salvatti, Cristovam Buarque e Renato Casagrande – presidentes, respectivamente, das comissões de Mudanças Climáticas, Direitos Humanos e Meio Ambiente lideraram a vigília que durou sete horas.
 
Christiane e Fasano entregaram aos presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara, Michel Temer uma cópia impressa, em papel reciclado, da carta-manifesto intitulada Manifesto dos Artistas pela Preservação da Amazônia – “Amazônia para Sempre”, com a adesão de 1 milhão e 200 mil assinaturas. Entre as personalidades que aderiram à causa estão Pelé, Regina Duarte, Tarcísio Meira, José Mayer, Eliane Giardini, Alessandra Negrini, Malu Mader, Fábio Assunção, Thiago Lacerda, Marjorie Estiano e Fábio Júnior.
  
O documento (vide Box) escrito pelo também ator Juca de Oliveira, contém informações que trazem dados como os alarmantes 16% de área desmatada, o equivalente a três vezes o estado de São Paulo ou duas vezes o território da Alemanha.
Além do manifesto, foi entregue uma lista com nove importantes projetos em defesa da Amazônia, que estão em votação. Entre eles a lei de resíduos sólidos, que visa diminuir a produção de artigos perigosos ao meio ambiente e à saúde e também incentivar fabricantes a investirem em tecnologias mais saudáveis. Protestaram ainda, contra duas medidas provisórias (MPs) que estavam em fase de votação e foram aprovadas. A MP 452, que autoriza a pavimentação de rodovias sem a preocupação ambiental, e a MP 458, que autoriza a grilagem – apropriação de terrenos de forma ilegal – de terras na Amazônia.
Vários famosos como, Gisele Bündchen, Tony Ramos, Letícia Sabatella, Fernanda Montenegro, Renato Aragão, Osmar Prado, Letícia Spiller, Aécio Neves (governador de Minas Gerais), Miriam Leitão, os cantores Erasmo Carlos e Simone, e o técnico da seleção brasileira de futebol Dunga enviaram mensagens de apoio à vigília.

A iniciativa teve como resultado um encontro oficial com o presidente Lula no dia 4 de junho, quando os líderes do movimento, Christiane e Fasano, entregaram o documento com as milhares de assinaturas recolhidas pela população, solicitando ao mandatário que vete projetos que vão contra a preservação da floresta, incentive à pesquisa, dê ênfase nas rodovias e crie um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ambiental. De acordo com reportagem da Agência Brasil, os artistas ainda aproveitaram a ocasião para criticar a aprovação, no Senado, da Medida
Provisória 458, que regulariza propriedades na Amazônia Legal. Essa Medida Provisória (MP) permite à União transferir, sem licitação, terrenos de até 1,5 mil hectares, aos ocupantes dessas áreas. O texto enviado pelo Executivo sofreu alterações no Congresso Nacional e agora segue à sanção presidencial. Mas, segundo Christiane Torloni, a sociedade vai se levantar contra a medida. “Não é uma coincidência. Desde a saída da ministra Marina Silva, começou a se apertar o cerco. A gente não pode dar terra a laranja, a grileiro”, protestou a atriz, referindo-se à saída, em 2008, de Marina Silva do comando do ministério do Meio Ambiente. 
 

Os famosos aproveitaram o evento para reivindicar desmatamento zero da floresta até 2015 e para pedir que a União continue responsável pela formulação da política ambiental.
 
Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o encontro das celebridades com o presidente foi emblemático no momento em que a política ambiental é atacada. “Acho que o presidente ficou muito sensibilizado e neste momento tão difícil que estamos vivendo em relação aos ataques à legislação ambiental, quero dizer que foi completamente estratégico, porque fez a diferença”, disse Minc, depois do encontro
no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da Presidência da República.

COMO NASCEU O MOVIMENTO
 
Christiane Torloni e Victor Fasano, personagens da minissérie global Amazônia – de Galvez a Chico Mendes, estiveram por 72 dias na região para a gravação de algumas cenas. Instalados no local na época da seca, os atores ficaram perplexos com a bruma de fumaça (provocada pelas queimadas) que demorava cerca de oito horas para se dissipar, foi então que ambos resolveram agir e lançaram o movimento “Amazônia para Sempre”.
A locação de gravação ficava a uma hora e meia de Rio Branco, capital do Acre, e por todo o caminho do interior até a cidade as cercas das fazendas iam margeando as estradas, não havia nenhuma lavoura, nenhum gado e nenhum sinal de floresta.
A iniciativa tem como finalidade fazer valer o parágrafo 4º do artigo 225 da Constituição Federal que define a floresta como patrimônio nacional e exige a interrupção imediata do desmatamento da Amazônia, ou seja, deseja-se mostrar a importância de preservar a floresta e sua incalculável biodiversidade, afi nal algumas espécies de animais e plantas só existem lá. Também objetiva incentivar a criação de leis em favor da Amazônia.
Torloni também participou de outros importantes movimentos como o das Diretas Já, e recentemente abraçou a causa da preservação ambiental, Fasano está desde 1985 à frente do Criadouro Tropicus - Associação Cultural, Científica e Educacional, que cria espécies ameaçadas de extinção da fauna brasileira para re-introdução na natureza. Em 2005, Victor representou a prefeitura carioca na Conferência de Meio Ambiente em São Francisco (USA). Em 2007, o ator recebeu o Prêmio “Verde das Américas”, do VII Encontro Verde das Américas, realizado em São Paulo
.

INFOEXTRA - Se desejar assinar o manifesto, acesse o site www.amazoniaparasempre.com.br
e faça a sua adesão!

Carta aberta de artistas brasileiros sobre a devastação da Amazônia
 
Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados.

É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta.

Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.
Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua.
Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.
Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica.
Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.
Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.
Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:
“A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na
forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais”
Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal
A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA
AMAZÔNICA. JÁ!
 
É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história. SOMOS UM POVO DA FLORESTA!
 

 
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